Projeto Mico-Leão-Dourado
Associação Mico-Leão-Dourado (AMD)

Ecoturismo
Estudo de Caso 

Autoria e Elaboração:

Associação Mico-Leão-Dourado

A Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) tem caráter científico, social e educacional e sua missão é promover a conservação da Mata Atlântica na baixada costeira do estado do Rio de Janeiro, e toda sua fauna característica, em particular o mico-leão-dourado.

Com isso, a AMLD contribui também para assegurar a qualidade de vida de toda a população da região.​

Projeto Mico-Leão-Dourado

O Projeto Mico-Leão-Dourado é uma iniciativa brasileira de conservação que atua principalmente na região da Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro para proteger o Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia), um primata ameaçado de extinção.

  • Origem e Missão
    O projeto começou nos anos 1980, impulsionado por pesquisas científicas e pela urgência de salvar a espécie, que na época tinha menos de 200 indivíduos na natureza. A missão é garantir populações viáveis de micos-leões-dourados em habitat protegido e conectado.
  • Área de Atuação
    A base está na região do município de Silva Jardim e arredores, RJ, onde ainda existe um remanescente importante de Mata Atlântica.
  • Ações Principais
    • Proteção e recuperação de habitat – restauração florestal, criação de corredores ecológicos para ligar fragmentos de mata.
    • Reintrodução – soltura de indivíduos nascidos em cativeiro e monitoramento via rádio-colar.
    • Educação ambiental – programas com comunidades locais, escolas e proprietários rurais.
    • Parcerias – colabora com órgãos governamentais, ONGs, zoológicos internacionais e universidades.
  • Resultados
    • População cresceu de menos de 200 indivíduos na década de 1970 para cerca de aproximadamente 4.800 (dados de 2022).
    • Aumentou a área de floresta conectada para permitir fluxo genético entre grupos.
  • Desafios atuais
    • Expansão urbana e agrícola que reduz e fragmenta o habitat.
    • Doenças (como febre amarela).
    • Necessidade de garantir corredores florestais de longo prazo.
Linha do Tempo e Principais Marcos

Antes dos anos 1970

  • A população da espécie estava abaixo de 200 indivíduos na natureza, sendo ameaçado pela destruição da Mata Atlântica, o tráfico e a caça.
  • Em 1969, descobriu-se que restavam menos de 150 indivíduos.

1970–1980: Fundação das Bases da Conservação

  • A criação da Reserva Biológica de Poço das Antas ocorreu em 1974 como a primeira unidade de conservação federal voltada à preservação do mico-leão-dourado.
  • No final da década, surgiram programas pioneiros de criação em cativeiro e cooperação internacional, envolvendo o Smithsonian e zoológicos do mundo.

1984–2000: Reintroduções e programas colaborativos

  • Iniciado em 1984, o programa de reintrodução trouxe cerca de 1 000 indivíduos de zoológicos para o habitat natural, consolidando uma metapopulação.
  • Entre 1994 e 1997, 43 indivíduos foram translocados de fragmentos em Cabo Frio, Búzios e Saquarema para a futura Reserva Biológica União (criada em 1998).
  • Essa população translocada cresceu para mais de 220 indivíduos em 2006; e até 2022–23, geraram cerca de 473 descendentes, equivalentes a 10 % da população total.

2000–2010: Divulgação e popularização

  • Em 2002, o mico-leão-dourado foi escolhido para estampar a nota de 20 reais, refletindo sua importância cultural e ambiental.

2010–2017: Crescimento e desafios emergentes

  • A população na natureza chegou a cerca de 3.700 indivíduos, reflexo dos esforços contínuos de conservação.
  • Em 2016, foi lançado o objetivo definido por modelagens (PHVA): alcançar 2.000 micos vivendo em 25 000 hectares de habitat conectado até 2025.

2017–2020: Impacto da febre amarela e resposta emergencial

  • O surto de febre amarela reduziu drasticamente a população, de 3.700 para cerca de 2 500 indivíduos.
  • A resposta foi inédita: aplicação de vacina contra febre amarela em animais selvagens a partir de 2020, com mais de 300 (ou até 489, segundo estimativas mais recentes) micos imunizados.

2020–presente: Reconexão de habitats e recuperação

  • Implantação de passagens de fauna sobre a rodovia BR-101, como viadutos vegetados e estruturas copa-a-copa, para conectar fragmentos isolados.
  • A restauração florestal intensificou-se: mais de 440 hectares restaurados, com ganhos de cerca de 2.000 hectares na bacia do Rio São João entre 1985 e 2021.
  • Em 2023, o censo estimou cerca de 4.800 micos vivendo na natureza—aumento de quase 30 % em relação a 2014.
  • Entretanto, o maior bloco contínuo de floresta tem apenas 15.696 hectares e ainda não está totalmente protegido, evidenciando o desafio da fragmentação.

 


 

 

 

Faça download da publicação: Informe Abav – Conhecer para Respeitar, Mico-leão-dourado (clipping, pdf, junho 1992)

 

Diploma Ação (Selo) Verde – Rio-92 Expeditours (1992)

 

 

Roberto M.F. Mourão / ALBATROZ Planejamento
Informações, uso e permissões favor contatar: roberto@albatroz.eco.br

 

 

 

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