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Nautilus
Projeto Sucateamento e Reciclagem de Navios
Navios Abandonados e Estaleiros da Baia da Guanabara
Autoria: Elaine Mello elaine.nautilus@gmail.com (2025)
1. Navios abandonados na Baia da Guanabara
Segundo diferentes levantamentos, a estimativa atual do número de navios e carcaças abandonadas na Baía de Guanabara varia de 60 a 200 embarcações, dependendo da fonte e da área considerada:
- Um mapa de janeiro de 2023 da Capitania dos Portos identificou 51 cascos abandonados;
- A Universidade Federal Fluminense (UFF) registrou entre 58 e 61 segmentos de embarcações abandonados;
- A ONG Baía Viva, com base em dados da Secretaria Estadual do Ambiente, apontou cerca de 78 embarcações;
- Levantamentos mais antigos (2002) estimavam até 200 embarcações ou restos — e em pontos específicos como o Canal de São Lourenço, entre 80 e 150.
Motivos da Variação
- Metodologias diferentes: algumas estimativas são restritas a pontos como Niterói, enquanto outras abrangem toda a baía.
- Momentos distintos: remoções pontuais, leilões ou acidentes (como o São Luiz em 2022), podem alterar a contagem.
- Falta de inventário oficial contínuo: a própria ONG Baía Viva admite que nunca houve um mapeamento completo e permanente.
Remoções em andamento
No início de 2025, o governo do RJ anunciou um plano de remoção de 80 cascos ao longo de 36 meses, com investimento de R$ 25 milhões para limpar áreas como o Canal de São Lourenço, em Niterói, São Gonçalo, Ilha da Conceição e margens da cidade do Rio.
2. Estaleiros com Estrutura para Desmontagem Comercial
Estaleiro São José (Jeferson Feres)
Localizado às margens da Baía, em área licenciada com aprox. 17 000 m².
Dedicado a descomissionamento de navios e plataformas, com gestão de resíduos, normas ambientais e licenciamentos válidos.
- Grupo Synergy
Mauá (Niterói – Ponta d’Areia): oferece reparos, conversões e tem capacidade para desmanche, com oito berços e diques secos.
Eisa: sendo preparado para desmantelamento de embarcações.
Brasa: foco em módulos/offshore, mas parte do mesmo complexo.
Cassinú: (São Gonçalo): atua em reparos e potencialmente também pode ofertar espaço para desmontes.
Cuidados e riscos
- Muitos pontos atuam ilegalmente (ex.: Superpesa na Ilha do Governador, Caju), sem licenças ambientais ou planos de descarte — resultando em interdições e multas de R$ 10–50 milhões.
- Para operar legalmente, é exigido: licença ambiental específica para demolição, plano técnico de reciclagem, medidas anti-contaminação de solo e água, e acondicionamento adequado de resíduos perigosos.
Disponibilidade

Passos Práticos
- Contatar diretamente os estaleiros (São José, Mauá, Eisa) para verificar disponibilidade de berços/dique para o seu navio.
- Validar a licença ambiental de demolição e plano de descarte.
- Solicitar orçamentos incluindo mão de obra, tratamento de resíduos e logística.
- Visitar o local para confirmar a estrutura (acesso marítimo, contenção ambiental etc.)
Observações
- Há opções legais preparadas para desmontagem, como os estaleiros São José e Mauá, além de outros em fase de implantação como Eisa.
- No entanto, existem riscos sérios com locais irregulares (interditados recentemente), e operar sem licença pode resultar em multas pesadas e riscos criminais.

3. Capacidades dos Estaleiros
Estaleiro São José
- Área: 17 000 m² à beira da Baía de Guanabara;
- Foco: descomissionamento e desmantelamento de navios e plataformas, com gestão de resíduos, licenças ambientais e recuperação de áreas.
Estaleiro Mauá (Ponta D’Areia, Niterói)
- Área total: 180 000 m²;
- Capacidade de processamento de aço: 36 000 toneladas/ano.
- Infraestrutura:
- 8 berços homologados para atracação;
- Dique seco com 165 m de comprimento, 23 m de largura e 11 m de profundidade, capaz de docar até duas embarcações simultâneas ou navios de até 150 m;
- Possui guindastes de 15 t, 30 t e 100 t; porta-batel restaurada (435 t) para estancar o dique.
Estaleiro EISA (Ilha do Governador)
- Área total: 150 000 m²;
- Área coberta: 55 000 m²;
- Capacidade de processamento de aço: 52 000 toneladas/ano;
- Instalações:
- Duas carreiras laterais (lançamento) para navios de até 280 m x 46 m e 133 m x 22 m;
- Cais de acabamento: 3 berços para navios de até 280 m, 250 m e 200 m;
- Galpões com 8 pontes rolantes (5–10 t);
- Está sendo adaptado para desmantelamento de embarcações, aproveitando a infraestrutura do grupo Synergy (junto a Mauá e Brasa).
Estaleiro Brasa (Ilha da Conceição, Niterói)
- Área pavimentada: 65 000 m² (parque industrial, cais, galpões e oficinas);
- Capacidade de içamento: guindaste “Pelicano 1” com capacidade de 2 050 t;
- Especializado em construção/integração de módulos, com disponibilidade para novos projetos.
Estaleiro Cassinú (São Gonçalo)
- Ainda sem dados precisos sobre área ou capacidade de aço;
- Atua em reparos e integra-se ao grupo Synergy, com planos para possível ampliação para desmantelamento de embarcações.
Comentários
- Mauá e EISAsão os mais robustos em capacidade de processamento de aço e infraestrutura para desmontagem;
- São Josépossui vocação direta para desmantelamento, embora menor área;
- Brasa é forte em módulos e grandes içamentos, com possibilidade para atividades de desmonte;
- Cassinú ainda em fase de posicionamento.

Fotos/Fonte: Internet, embarcações naufragadas e abandonadas em mares diversos.


- Projeto Nautilus, Sucateamento e Reciclagem de Navios
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Informações e Contato: Elaine Mello elaine.nautilus@gmail.com




